Um pouco da minha história

       Nasci numa família tipicamente paraibana, de origem humilde e cheia de amor e alegria. Muitos tios, primos, amigos...cada encontro uma verdadeira festa. Lembro de minha infância em João Pessoa, sempre nas férias de verão, reunido com a imensa família, celebrando os encontros e vivendo a saudade. 

     Nos anos 70, meu pai Gentil Lucena - um ser lindo que nasceu para aprender e ensinar, fez doutorado no Canadá. Lá viveu 4 anos com minha mãe, meu irmão e irmã. No último ano pousei nessa terra, em Waterloo, Ontario. Quando completei um ano de idade, minha família retornou ao Brasil. Viemos para Brasília. Aqui, no planalto central do Brasil, cresci e venho aprendendo a viver até hoje.

      Na adolescência comecei a namorar a deusa música. Meu irmão tinha um violão que não saía da minha mão. Ele acabou se encantando com a bateria e me deu o violão de presente. Aí comecei a brincar com os primeiros acordes e a descobrir o potencial da minha voz. Nessa época a música era apenas sinônimo de curtição e motivo pra encontrar os amigos e celebrar a vida - uma delícia.

    Aos 22 anos entrei tardiamente para a faculdade. Minha irmã já era psicóloga e a psicologia alimentava meu interesse em auxiliar o ser humano. No período da faculdade fui convidado por um grupo de amigos para cantar numa banda inicialmente de rock, mas que depois enveredou para o reggae. Nascia o Takape, uma experiência maravilhosa de abertura e descoberta do universo musical. Foi um balanço, tinha me encontrado na música e a psicologia passou a ter cada vez menos força em minha vida. A grana apertou e acabei tendo de trancar o curso. Trabalhei em banco, hospital, projetos de iluminação, agência de viagem, mas sempre me sentindo um peixe fora d'água, com muita dificuldade em me encaixar. 

    Ainda no período da faculdade reencontrei Vanessa, minha companheira de vida. Nos conhecemos ainda crianças no período escolar e nos esbarramos outras vezes, mas agora nossas almas estavam preparadas para voarem juntas. Vanessa me trouxe a Jade de presente e assim nasceu minha família. 
       Nesse novo ciclo de vida tivemos nossas primeiras experiências com ayahuasca e a partir daí a vida passou a ter um significado diferente, mais verdadeiro e espiritual. A música começou a preencher todos os espaços e cada vez mais fazer sentido de uma forma que eu já não conseguia explicar. 

       A gravidez da nossa primeira filha foi tão forte e especial que me trouxe a necessidade de me posicionar na vida e ser mais verdadeiro com a minha caminhada. Comecei a direcionar a vida para o sentido de trabalhar profissionalmente com a música. Mas o que fazer? Como? Eu nunca tinha estudado música, sequer sabia ler uma partitura. Como viver dignamente sabendo que é uma profissão tão marginalizada no Brasil, e ao mesmo tempo tinha tantas referências maravilhosas de artistas inspirando essa diversidade cultural que é a música brasileira, e  Isso me dividia.

     Um ano depois do nascimento da Mel, o universo nos presenteou com outra menina. Luna chegou com a decisão de seguir na trilha da música. Comecei a trabalhar como professor particular de iniciação musical, violão e flauta doce. De forma natural, as crianças começaram a chegar na minha vida. Fui convidado para fazer a musicalização na primeira escolinha das meninas e a partir daí, acabei direcionando a vida para a educação musical. Passei por diversas escolas, academias, projetos culturais e ONGs - minha vida se fez dentro desse universo. Com a família estabelecida e uma vida mais estável,  via mais distante a possibilidade de seguir uma carreira artística. Eu era um excelente professor, porém o chamado da arte sempre foi mais forte.

      Nesse período de docência a vida se encarregou de me presentear com uma infinidade de instrumentos musicais, que misteriosamente chegavam até minhas mãos, das formas mais inimagináveis. Para cada instrumento que chegava eu ia desenvolvendo uma linguagem musical, aprendendo e compondo músicas. Nascia minha paixão pelos instrumentos, principalmente tradicionais, étnicos e efeitos sonoros de todos os cantos do globo. Aos poucos fui percebendo o poder e a força que cada um deles trazia.

    Comecei a entender que a música ia muito mais além do que simples entretenimento. Minha relação com o som e o silêncio se intensificou. Comecei a utilizar a música como ferramenta para minha própria conexão. Música para meditar, para me aquietar, acalmar meu coração. Pude testemunhar os efeitos dessa medicina na prática, na minha vida e na vida da minha família. 
     Nesse despertar venho aprofundando o mergulho no sentido do bom uso do som e da música para propagação do bem, do amor, e da importância de se viver em harmonia com a natureza e as coisas simples da vida. Já são 3 álbuns gravados: "Para Viajar" de 2005, "Naturezando" de 2014 e "Tempo das Coisas" de 2020. 
Sigo trabalhando em novos projetos, banhando as pessoas de som e harmonia, unindo a música, sons terapêuticos e meditações sonoras. Hoje, viver a música é como respirar, essencial!
      Agradeço ao Grande Espírito criador pelas bênçãos de poder caminhar sobre essa Terra, buscando cada vez mais consciência dos passos dados e das pegadas deixadas para trás, em harmonia com todas as minhas relações, e com todos os seres em todos os lugares.